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QI Explicado

QI é um resultado obtido a partir de testes desenvolvidos para avaliar a capacidade cognitiva de uma pessoa. Embora QI não seja sinónimo de inteligência, é a melhor medida que temos para a avaliar.

Uma pessoa inteligente não é necessariamente brilhante em todas as àreas cognitivas, por exemplo, uma pessoa pode ser muito boa a matemática mas não conseguir aprender uma língua estrangeira. No entanto uma pessoa inteligente será, em média, mais capaz em abilidades cognitivas do que alguém menos inteligente.

A esta capacidade geral chamamos factor G (de inteligência geral).

Factor G e as várias abilidades cognitivas. Quanto maior o g, maiores as abilidades cognitivas, em média.

Os (bons) testes de QI tentam ao máximo ser culturalmente imparciais, ou seja não usar conceitos que só certas culturas conhecem.

Exemplo pergunta teste QI

Os resultados de testes de QI a populações orientam-se numa distribuição normal, significando que a maioria das pessoas tem um QI muito próximo da média (que por definição é 100). Nos extremos temos os génios e os com deficiências cognitivas, que são casos raros na sociedade.

Pessoas com QI abaixo de 70 eram qualificadas como tendo algum tipo de deficiência mental, enquanto pessoas com QI acima de 130 podem ser consideradas sobredotadas.

Como sabemos que é um bom indicador?

Podemos comparar o comportamento geral de pessoas com alto QI e pessoas com baixo QI e concluir que as pessoas com alto QI se comportam como pessoas inteligentes.

Por exemplo Tarmo Strenze descobriu que indivíduos mais inteligentes tendem a ter um nível de educação e rendimento mais elevados.

Lawrence J Whalley e Ian J Deary descobriram que quanto mais inteligente uma pessoa é na infância, mais tempo vive. Por exemplo, uma pessoa com um QI de 115 tinha 21% mais probabilidade de estar viva aos 76 anos do que uma pessoa de inteligência média.

Childhood mental ability is a significant factor among the variables that predict age at death.

Outra maneira de saber é pedir a indivíduos para darem a sua opinião sobre a inteligência de outros e de si mesmos, e ver de que forma estas avaliações se relacionam com o seu QI. Um estudo por Denissen et al. 2011 demonstra que estão relacionadas:

Results indicated that peer-reputations of intelligence were reliable, stable and weakly correlated with objective intelligence.

Outro estudo por Roger c. Bailey e Victoria Hatch tirou conclusões semelhantes:

Another objective of this investigation was to determine the degree to which students could accurately estimate their own levels of intelligence, as well as their friend’s level of intelligence. The accuracy of intelligence estimates was determined by correlating Self/Friend perceptions with actual intelligence as measured by the Lorge-Thorndike tests. It was found that 5th grade males(r = +.32, p < .05) and 9th grade males(r = +.45, p < .01) had the most realistic self-views of intelligence, while the 7th grade males (Y = +.36, p < .05) were most accurate in rating their friends’ level of intelligence.

O conceito é aceite pela comunidade científica?

Em geral, sim é aceite. Um comunicado publicado no Wall Street Journal em Dezembro de 1994 foi assinado por uma maioria (52 em 100) de experts em psicologia e inteligência. O texto definia inteligencia como:

[…] uma capacidade mental muito geral que, entre outras coisas, inclui a capacidade de raciocinar, planear, resolver problemas, pensar de forma abstracta, compreender ideias complexas, aprender rapidamente e aprender com a experiência. Não é apenas aprender através de livros, uma capacidade académica específica ou capacidade de realizar testes. […]

Afirmava também que pode ser testada e que testes de inteligência a testavam bem e eram das melhores formas de a testar.

Das pessoas que não assinaram (48):

  • 11 disseram que não sabiam o suficiente para tomar uma posição;
  • 4 concordavam com o comunicado na maioria, mas não queriam ser associados com o comunicado ou outros assinantes;
  • 4 concordavam com o comunicado mas tinham medo de consequências de o assinar;
  • 6 não disputavam o conteúdo mas sim a maneira como foi apresentado.

Este artigo está em constante actualização e serão adicionados novos estudos e evidências com o tempo. São bem-vindas sugestões nos comentários.

2 comentários a “QI Explicado”

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