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Demografia

Miscigenação

O império ultramarino, a globalização da economia e as crises migratórias que a Europa sofreu recentemente forçaram os Portugueses a tornarem-se numa sociedade mais aberta e tolerante, levando à crescente diversidade étnica. Haverá no entanto razões que nos ajudem a compreender o preconceito que havia (e ainda há) contra a miscigenação?

Este artigo utilizará em parte dados Norte Americanos devido à falta de dados Portugueses.

Estabilidade do casamento

Casamentos multi-raciais tendem a ser mais instáveis do que casamentos entre pessoas da mesma raça, segundo Jenifer L. Bratter e Rosalind B. King.

Curiosamente o estudo concluiu que os casamentos de maior risco eram os de mulheres brancas com homens de outra etnia:

According to the adjusted models predicting divorceas of their 10th year of marriage, interracial marriages that are most vulnerable involve White females and non-White males (with the exception of White females/Hispanic White males) relative to White/White couples.

Isto pode acontecer em parte devido a diferenças culturais que costumam haver entre pessoas de diferentes raças, no entanto há outro dado infeliz que nos pode dar mais indicações sobre o porquê:

Existe mais violência entre casais multi-raciais do que casais da mesma raça.

Um estudo de Rachel A. Fusco conclui que casais multi-raciais são 2,6 vezes mais sujeitos a ter um histórico de “Violência de Parceiros Íntimos” (IPV) e as agressões tendem a ser mais graves:

Interracial couples were more likely to have a history of prior IPV (OR = 2.60), engage in mutual assault (OR = 2.36), and result in perpetrator arrest (OR = 1.71) than ethnic minority monoracial couples. Victims of IPV in interracial couples were also more likely to be injured (OR = 1.37).

Em caso de violência entre casais multi-raciais havia também uma probabilidade 1,8 vezes maior da criança estar presente durante o incidente.

Problemas de saúde

Existem alguns problemas de saúde associados à miscigenação. Casais multi-raciais têm uma probabilidade quase 2 vezes maior de ter um nado-morto mesmo ajustando por fatores demográficos e sociais.

Assumindo que a criança nasce saudável, esta pode encontrar alguns problemas ao longo da sua vida. Vai viver num país onde o sistema de saúde está adaptado à etnia local – neste caso Portuguesa. Diferentes raças e etnias têm incidências de doenças diferentes, assim escreve Michael S. Victoroff:

Beta-thalassemia occurs among persons of Mediterranean ancestry; cystic fibrosis, in northern Europeans.

Um estudo de membros da força aérea dos EUA demonstra que pretos têm uma taxa de incidência de hipertensão 2 vezes superior e uma taxa de incidência de diabetes 3 vezes superior.

A anemia falciforme, que dá vantagens na protecção contra a malária, é outro exemplo de uma doença que só afeta algumas etnias, podendo o nosso sistema de saúde não estar preparado para responder apropriadamente.

Nascimentos com anemia falciforme por 100 000 nascimentos

No caso de uma pessoa multi-racial precisar de uma transfusão de medula, esta pode ter sérios problemas a tentar encontrar um doador. Foi o caso de Astrid, que é meia alemã meia nigeriana e sofre de leucemia, e de Krissy Kobata que sofre de síndrome mielodisplásica e é meia japonesa meia caucasiana.

Existem também diferenças a nível de respostas a medicamentos que podem afetar a saúde de uma pessoa multi-racial.

Todos estes fatores entram em jogo no bloco operatório. Nos Estados Unidos, país mais diverso que o nosso e por isso – em principio – melhor preparado para lidar com minorias, a mortalidade em bloco operatório de pacientes pretos é 23-61% superior à da média branca:

Outros riscos

No estudo Health and Behavior Risks of Adolescents with Mixed-Race Identity foi concluído que adolescentes que se identificavam como multi-raciais tinham riscos de saúde e comportamentais superiores.

Listo abaixo a razão de possibilidades de um adolescente multi-racial em comparação com um adolescente branco:

  • Ter mau estado de saúde: 1.69
  • Acordar cansado: 1.12
  • Ter problemas de pele: 1.23
  • Ter dores de cabeça: 1.19
  • Ter dores: 1.34
  • Ter problemas de sono: 1.58
  • Sofrer de depressão: 1.50
  • Fumar: 1.24
  • Beber: 1.22
  • Ficar bêbado: 1.10
  • Ter acesso a armas de fogo: 0.84
  • Considerar suicídio seriamente: 1.34
  • Já ter feito sexo: 1.50
  • Ter faltado à escola mais de 10 vezes: 1.43
  • Chumbar: 1.64
  • Ter sido suspenso: 1.94

Um estudo por Mary E. Campbell chegou a conclusões semelhantes:

We found that multiracial adolescents as a group experience some negative outcomes compared to white adolescents

Sentir-se socialmente aceites. Diferença estatística em relação a brancos.

Existem várias razões lógicas para não misturar as etnias, tanto pelo bem do matrimónio ou pela saúde e sucesso dos filhos. Quero, no entanto, adicionar um comentário para terminar:

Muitos de nós tivemos a sorte de nascer Portugueses, em Portugal. Isto é um privilégio em relação aos estrangeiros que cá nascem ou aos Portugueses que nascem no estrangeiro. Temos as vantagens de viver numa sociedade (cada vez menos) unida e culturalmente uniforme. Temos também o privilégio de poder escolher parceiros do mesmo background étnico e cultural.

Os nossos filhos merecem o mesmo.

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